O Bitcoin, o email e a curva S de adoção tecnológica.

O email é um protocolo (Simple Mail Transfer Protocol), mas enviamos e-mails como se fossem cartas. São cartas ou não? Eles nos remetem às letras, exceto um detalhe que os difere basicamente das cartas que recebíamos antigamente, eles são digitais. Ainda que carreguem em si sentimentos, cobranças, calendários, trabalhos, papers, até nudes(numa época que ainda não existia WhatsApp, caro leitor),o email é um meio de transporte de mensagem 100% digital. Você pode imprimi-lo, sim, mas isso torna isso mais “real” do que quando estava em forma digital? Despojado da sua essência, é apenas um monte de zero e zero. Isso torna isso menos real do que uma carta real?

 

Você sabe como o e-mail funciona?

Você pode responder  “Sim. – Você escreve uma carta, você a manda e  pronto! “

Não, não é assim que funciona. É assim que você envia um e-mail. É assim que funciona:

 

Até a década de 1990, quando o navegador de internet tornou mais fácil para qualquer um ter uma conta e endereço de e-mail, todas essas coisas eram tão estranhas às pessoas quanto a tecnologia do Bitcoin e Blockchain são para usuários hoje que não estejam familiarizados com esse tema.

 

Ainda me lembro quando o email de repente tornou-se acessível a todos. Não foi apenas por causa do navegador. Foi um fenômeno mercadológico que antecedeu em anos, outro fenômeno – o StarBucks -, foram as Lan Houses no Brasil e os cybercafés que permitiram aos usuários usarem o email de forma econômica e fácil. Nós pagávamos em média R$1 por hora e acessávamos a internet. Meus primeiros contatos com estrangeiros, depois do colégio e intercâmbios, fora através do email. Não era uma tecnologia trivial, embora hoje em dia pareça.

Os computadores eram tão caros que apenas os ricos tinham o seu próprio, e as conexões de internet em casa eram lentas e defasadas. Quem tenha menos de 18 anos lendo este texto hoje, não tem noção do que era navegar numa internet discada de até 58Kb. Você tinha que garantir que ninguém ligasse para o seu telefone residencial ou então você ficaria desconectado. Assim, os cybercafés e as Lan House se tornaram a porta de entrada para o “ciberespaço”, onde as pessoas conversavam com outras pessoas e, claro, enviavam e-mails. Havia uma Lan House ou um cybercafé em todos os cantos, e era um grande negócio.

Tornou-se tão fácil criar uma conta de e-mail e esta ferramenta ainda inventada na década de 70, tornou-se rapidamente um instrumento popular e de massa. Embora, durante um tempo, antes dessa popularização, era apenas um brinquedo elegante para geeks, e a internet, ou “Cyberspace” em geral, era considerado um ambiente perigoso. Os e-mails nem sequer eram considerados como forma oficial de comunicação. Todos usavam algum tipo de nome falso, e estava-se limitado a um certo número de mensagens na sua caixa de entrada ou então os e-mails eram devolvidos ao remetente.

As pessoas usavam endereços de e-mail estranhos como – xpto15@hotmail.com– .  Os negócios ainda tinham que ser enviados por fax ou feito com papel impresso ou chamadas telefônicas. Era um mundo completamente diferente.

Hoje, enviamos um email com um toque de um dedo, em um pequeno supercomputador na palma da nossa mão, que em 1984 custava US$ 32 MILHÕES, com armazenamento ilimitado na nuvem e aprendizado de máquina ajudando-nos com respostas automáticas.

Usamos o Email sem pensar em como funciona porque se tornou um utilitário básico. Simplesmente funciona.

Bitcoin como protocolo básico

Bitcoin é um protocolo, um software, mas nós enviamos Bitcoins como se fosse dinheiro. É dinheiro ou não? Ele é transaciona como dinheiro, exceto que é digital. Você pode imprimi-lo, sim, mas esse ato o torna mais “real” que quando estava em forma digital? Despojado da sua essência, é apenas um monte de zero e zero. Enxergá-lo como ele é o torna menos real que dinheiro físico?

Você sabe como funciona o Bitcoin?

Você pode responder “Sim. Usando uma carteira Bitcoin, uma exchange, tendo saldo, envie-se ou recebe-se e pronto! “

Não, não é assim que funciona. É assim que você os envia. É assim que funciona:

Parece familiar agora?

Vamos analisar melhor como a adoção de uma tecnologia ocorre.

Analisemos a Curva-S da Adoção de uma tecnologia:

Se adicionarmos o Bitcoin nesta imagem, ficaria abaixo de 1% e se levarmos em consideração que o telefone fixo, levou quase um século para se popularizar, estamos diante de uma onda que ainda nem começou.

Explicar a tecnologia do Bitcoin e Blockchain hoje é mesmo que tentar explicar o email em 1984. Ainda precisamos de vídeos de cinco minutos explicando como funciona. As pessoas ainda têm medo do Bitcoin, achando que é perigoso e usado apenas por criminosos na deep web. Os próprios aplicativos ainda são difíceis e muito complicados para o usuário médio que só usa a internet. As exchanges ainda são frequentemente hackeadas ou sofrem de todo tipo de problemas técnicos, e os golpes abundam na indústria. A adoção da tecnologia em escala global não é nem de perto 1%, então temos um longo caminho a percorrer antes de ver essa mudança.

Isso acontecerá lentamente, e não de repente.

Assim como ir a um cybercafé, ainda se precisa de algum conhecimento básico sobre como usar um computador, usar o Bitcoin precisará de um entendimento básico de como funcionam uma exchange, aplicativos de pagamento e smartphones. Permitir ao usuário experimentar a tecnologia em um ambiente amigável e seguro. Precisamos campanhas regulares de educação que eduquem àqueles que querem aprender sobre como funciona e como isso pode beneficiar a sociedade.

Atualmente, existem centenas de serviços e aplicativos que estão fazendo o mesmo, com o objetivo de tornar as pessoas confortáveis ​​com o uso da tecnologia.

No futuro próximo, estaremos enviando dinheiro um para o outro usando o protocolo Bitcoin, com um deslize de um dedo, sem precisar entender como ele funciona. Explicar a tecnologia Bitcoin e Blockchain será tão desnecessário como explicar o email hoje. Simplesmente funciona.

Bitcoin é um protocolo. É apenas um software, executado em um conjunto de regras que precisam ser seguidas para participar da rede. Tentar explicar o que são as porcas e os parafusos, será frustrante, porque nem todos podem ou querem entender as coisas de forma técnica, mas nós o fazemos de qualquer maneira, porque mesmo que apenas uma em cada cem pessoas queira aprender mais, faz todo sentido esse esforço valer a pena.

Bitcoin é dinheiro, porque é isso que o software faz parecer ser, mas a verdade é que, trata-se de mera e pura informação. O software que você usa faz com que funcione como dinheiro da mesma maneira que o SMTP faz com que os emails funcionem como letras, como uma correspondência entre pessoas, com a certeza um tanto confiável de que as mensagens serão transmitidas com segurança e serão válidas.

A única grande e maior diferença é que, o Bitcoin é incensurável e imutável.

*Esse artigo é parte do livro – CryptoRevolutions e a sociedade baseada em software.

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Empreendedor, Cientista de Dados e cryptopesquisador.

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