Mesmo com alta histórica do dólar, dispara o número de brasileiros investindo em ativos no exterior

Os investidores brasileiros continuam aumentando seus investimentos em ativos fora do Brasil, mesmo com a alta histórica do dólar no mercado interno, impulsionado pela crise econômica do coronavírus. A informação é do Estadão.

Desde dezembro de 2019, quando a XP Investimentos abriu seu capital na Nasdaq, milhares de investidores têm aportado seus fundos em ações no exterior, muitos deles pela primeira vez.

A corretora Avenue Securities, que oferece investimentos na bolsa estadunidense, registrou 11 mil novas contas em dezembro de 2019, chegando ao recorde 24 mil clientes durante maio de 2020, já durante a pandemia de COVID-19. A empresa já conta com mais de 100 mil clientes.

Com o dólar derretendo a moeda brasileiro, especialistas dizem que o investidor brasileiro optou por diversificar sua carteira com ativos no exterior, prática antes reservada aos grandes investidores.

O número de cotistas de fundos classificados como “Investimento no exterior” junto à Associação Brasileira de Entidade dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) ainda não reflete, porém, esta realidade.

Em março de 2020, segundo a Associação, havia 88 mil cotistas registrados na entidade, apenas 10.000 a mais que em 2019.

No Brasil, os fundos investem em BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que só podem ser adquiridos por investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão investidos. A CVM, porém, quer alterar a regulação e liberar estes papéis para investidores do varejo.

Segundo o estrategista-chefe da Avenue, William Alves, diz que os grandes investidores sempre investiram no exterior, mas “o que mudou foi a pessoa física querendo também ter acesso ao exterior diante da queda de juros.”

A queda de juros também tornou mais difícil investir e conseguir bons retornos em investimentos no mercado brasileiro, levando os poupadores a rever seus portfólios de investimento e diversificar investimentos para além de títulos de renda fixa.

Os investidores que buscam investir no exterior através de fundos no Brasil também hoje têm mais opções. Recentemente, a Vitreo lançou um fundo de BDRs de empresas de tecnologia, reunindo papéis de gigantes americanas como Amazon, Netflix, Facebook, Microsoft, Google – na primeira semana, a captação foi de R$ 20 milhões, com 1,6 mil pessoas físicas.

O fundador e presidente da Vitreo, Patrick O’Grady, diz:

“Para diversificar, precisa ter um pé lá fora e as pessoas estão acordando para isso”

Com os riscos do mercado interno, as crises econômicas, política e de saúde pública longe de encontrarem um horizonte e o real com maior desvalorização da história, o investidor brasileiro pessoa física busca hedge em outros mercados, inclusive criptomoedas. As negociações de Bitcoin em exchanges e P2Ps no Brasil disparou nos meses da pandemia de coronavírus.

Por Lucas Caram.

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