Especial CryptoWatch: O poder de fogo das Exchanges – elas já valem bilhões.

As exchanges testemunharam um aumento na demanda desde o início de 2017. No auge do rali, muitas bolsas foram forçadas a congelar temporariamente novas entradas de clientes para melhorar sua infraestrutura e dar conta da demanda. Embora o mercado tenha arrefecido significativamente em relação ao seu pico, as grandes exchanges, como a Binance, continuam processando bilhões de dólares em transações por dia.

A Binance é a maior exchange do mundo por volume de transações, processando mais de US$ 2,5 bilhões em transações. OKEx e Upbit, da Coréia do Sul, processaram mais de US$ 2,1 bilhões em transações.

Mais de US$ 27 bilhões foram negociados nas principais bolsas até quinta-feira, segundo a CoinMarketCap.

Embora os números sejam superlativos, as cryptomoedas geram significativamente menos negociações do que os mercados financeiros mais estabelecidos, como os mercados de câmbio e de ouro(o marketcap do mercado de ouro é US$7.7 trilhões, sendo que um 1kg de ouro, está custando hoje na London Bullion Market US$40,814.73  – ). Isso levou a restrições de liquidez que contribuem para oscilações nos preços das cryptomoedas. Pois muitos investidores institucionais, migram seus investimentos das crypto para o ouro ou para os títulos americanos nos momentos de incerteza e quando os juros americanos estão em alta.

Para muitos, a absorção institucional das cryptomoedas é essencial para suavizar a volatilidade dos preços. Esforços estão em andamento para trazer ativos criptografados para círculos tradicionais por meio de fundos negociados em bolsa e contratos futuros. Na quarta-feira, o chefe da Nasdaq indicou que a bolsa estava focada no entendimento sobre as cryptomoedas, uma vez que as regulamentações adequadas estão entrando em vigor e seguindo o caminho da CBOE, a Bolsa de Chicago, como já noticiado aqui nesse portal.

O que vem chamando a atenção de Wall Street é a pujança que as exchanges, em particular as asiáticas, estão apresentando como valorização de mercado e volume de operações. Um dado que chamou muita atenção do mercado nos últimos dias, foi a comparação entre a Binance e o Deutsche Bank.

A Binance gerou lucros de US$200 milhões no período de janeiro a março, superando amplamente o Deutsche Bank, que registrou ganhos líquidos de US$146 milhões. Os lucros do banco no primeiro trimestre, anunciados na quinta-feira, reduziram significativamente as projeções dos analistas que previam lucro na ordem de US$ 456 milhões. Lucros que vem caindo 79% ano a ano. São perdas expressivas para uma instituição do tamanho e importância do Deutsche Bank. Muito dessas perdas, são em função do papel socio-econômico que o DB possui sobre as políticas fiscais e de fomento à indústria europeia e efeito de crises, como a grega.

Surpreendentemente, a Binance conseguiu superar uma das maiores instituições financeiras da Europa após apenas oito meses de operação. Em comparação, o Deutsche está no mercado há 148 anos e atualmente emprega mais de 100.000 pessoas.

De onde vem, portanto, tanto lucro e tanta potência? – A resposta está no binômio: taxas e ágio sobre as operações em cryptomoedas. As exchanges ganham fortunas diárias com taxas e cobrando algum ágio sobre os preços de muitos cryptoativos.

As 10 principais exchanges estão gerando US$ 3 milhões em taxas por dia, cerca de US$1 bilhão por ano, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg, a partir de dados coletados pela CoinMarketCap e informações sobre taxas nos sites das próprias exchanges.

As exchanges estão gerando milhões em receita de negociação por dia.

As projeções são uma estimativa aproximada, pois é quase impossível saber exatamente o que as exchanges de capital fechado estão cobrando, pois na verdade, são todas de propriedade privada e têm apenas alguns anos, o que muitas vezes significa que é difícil encontrar informações financeiras ou detalhes sobre a gestão., – excetuando a Binance que tem em seu CEO, Changpeng Zhao, sua principal figura. Nas demais, não se sabe quem são seus donos -, incluindo descontos aos traders mais ativos. Com base no volume diário de negociações e taxas listadas, a receita anual para o top 10 é de bilhões de dólares. Embora os números não sejam exatos, a ordem de grandeza mostra que o boom nas moedas virtuais está gerando um caixa poderoso e que vem financiando o crescimento seguido e agressivo delas para além de suas fronteiras(?). São tipicamente empresas globais e que não enxergam mais fronteiras. Como é o caso da Coinbene, que está iniciando suas atividades no Brasil.

A HitBTC, a décima maior, não fornece informações sobre quem a administra ou onde a empresa está sediada, mesmo quando os clientes fizeram essas perguntas no fórum da exchange. Bit-Z, WEX e EXX, estão entre as 20 maiores em volume de negociação, são algumas que também não fornecem esses detalhes.

A Binance, sediada em Tóquio e de mudança para Malta, transferiu inicialmente sua sede para o Japão a partir de Xangai, depois que o governo chinês aumentou sua influência sobre a indústria no final do ano passado. A OKEx, com sede em Hong Kong, junto com a Binance estão administrando o maior volume de negociações, equivalente a cerca de US$ 1,7 bilhão diários. Com base em taxas de 0,2%, que são superiores aos 0,07% da OKEx para os operadores mais ativos, a Binance provavelmente está gerando mais dinheiro por dia.

Huobi, Bitfinex, Upbit e Bithumb, todas baseados na Ásia, são as próximas no ranking. Eles processam entre US$600 milhões e US$1,4 bilhão em volume de negócios e cobram taxas de 0,3% em média. Mais da metade das negociações cryptomoedas acontece em bolsas baseadas na Ásia, de acordo com dados compilados pela plataforma de contrato inteligente Aelf.

A influência da Ásia pode ser explicada por uma concentração da mineração de cryptomoeda na região desde os primórdios do Bitcoin, à medida que os mineiros se aproveitavam dos custos de eletricidade mais baratos, disse o co-fundador da Aelf, Zhuling Chen. Outras razões incluem a população jovem da região, que adota novas tecnologias rapidamente, consumidores que se sentem confortáveis ​​com pagamentos móveis e até uma forte cultura de jogos( como foi o caso do bem sucedido ICO da ALAX, que é uma poderosa plataforma de desenvolvimento de jogos), que incentiva transações virtuais, disse Chen. O aperto da regulação na região, com a China e a Coréia do Sul restringindo as ICO e a ação mais agressiva das exchanges; também significa que as empresas asiáticas foram forçadas a se tornar globais, disse ele.

O destaque da Binance é notável, considerando que a empresa começou a operar em julho. A empresa pode processar 1,4 milhão de ordens por segundo, o que, segundo a empresa, é uma das mais rápidas do mercado.

A Binance, lida exclusivamente com cryptomoedas – sem dólares ou moeda fiduciária de qualquer espécie. Em vez disso, os traders compram e vendem Bitcoin, Ether e uma variedade de tokens oriundas de diversas ICO. Leiam mais sobre ICO aqui, nesse especial publicado por este portal.

Zhao diz que a Binance movimenta cerca de US$ 500 milhões todos os dias, dos quais a empresa cobra uma taxa de 0,1% – o que equivale a 0,005% se os usuários pagarem comissão e taxas em Binance Coin (BNB). Em seu primeiro trimestre encerrado em outubro, a empresa reportou um lucro de cerca de US $ 7,5 milhões em comissões.

Seu processo de credenciamento de clientes pode também explicar seu crescimento. Eles não fazem os usuários passarem pelo processo de conhecer o cliente até a retirada. Pois trata-se um processo complicado e massante, no qual se perde em média 2 horas ou até 24 horas, até se liberar acesso ao trade nas demais plataformas. Com essa política permissiva, a Binance evita perder clientes por questões meramente burocráticas. Na Binance,  começa-se a se operar em menos de 20 minutos.

Para aumentar ainda mais seu volume de negócios e atrair mais traders, a Binance lançou uma ferramenta que se permite utilizar aqueles saldos residuais em satoshis que são insacáveis ou negociáveis. Como noticiamos aqui em primeira mão nesse portal.

A bolsa sul-coreana Upbit, que está entre as cinco maiores em volume de negócios, só começou a operar em outubro. É controlado pela Dunamu Inc., que também é dona do Kakao Talk, o aplicativo de mensagens mais popular da Coréia. A Upbit é integrada ao Kakao Talk e lista mais de 120 cryptomoedas, graças a uma parceria com a Bittrex, baseada nos EUA.

Enquanto isso nos EUA, as exchanges sediadas por lá, estão sob intensa vigilância dos órgãos de controle financeiro, como já noticiamos aqui nesse portal e grandes compras estão consolidando o mercado de crypto por lá também. Como fora o caso da Circle e sua aquisição da Poloniex, como também noticiado em primeira mão aqui nesse portal. Sendo o primeiro caso de um fundo baleia a adquirir uma exchange na qual operava seus dump/pump.

Não se sabe exatamente quanto se fatura na Poloniex e nem sobre seus custos de manutenção. Visto que para se manter uma estrutura do seu tamanho, não deva ser realmente barata. Podemos pelo menos inferir seu faturamento a partir do que se cobra em taxas. As taxas entre 10 e 25 pontos por transação não parecem ser muito lucrativas, é provável que a Poloniex obtenha aproximadamente US$ 250 mil em receita com taxas de negociação num volume de US$1 bilhão de dólares negociados. Assumindo que a taxa de transação média é de 0,25%, considerando que muitos dos traders de alto volume provavelmente operam com taxas ligeiramente mais baixas que a maioria. Se ambos os  tipos de traders tiverem volumes mensais abaixo de 600 BTC, eles são cobrados 0.25% e 0.15% respectivamente, a margem líquida da Poloniex nessas operações é de 0,4% do valor total das transações. Esse nível de receita é apenas uma contabilização das taxas de negociação e não contabiliza os fluxos de receita resultantes do mercado de empréstimos. A Poloniex automaticamente faz 15% de lucro no mercado de empréstimos, o que provavelmente também é uma importante fonte de receita. Onde se supõe que as receitas ultrapassem US$100.000 com frequência.

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