Jogo de gigantes – Circle compra Poloniex

A Circle, uma empresa de serviços financeiros centrada em cryptoativos, anunciou hoje que está comprando a Poloniex – uma jogada que imediatamente faz da Circle uma das maiores e mais influentes empresas da indústria. Está mais que claro que o objetivo da Circle é se tornar o maior Cryptobanco do futuro. Nós da CryptoWatch vamos analisar esse evento.

Especula-se que o preço da aquisição se aproxima a US$ 400 milhões. Consideramos esse valor bem abaixo do que se supunha que a Poloniex vale-se. Contudo, considerando o volume de Bitcoins movimentado hoje, comparado com 06/10/2017 é revelador: A Circle parece que esperou o mercado desvalorizar-se para ir às compras. Comprou uma Poloniex muito menor e mais barata que era há 5 meses.

Não se sabe exatamente quanto se fatura na Poloniex e nem sobre seus custos de manutenção. Visto que para se manter uma estrutura do seu tamanho, não deva ser realmente barata. Podemos pelo menos inferir seu faturamento a partir do que se cobra em taxas. As taxas entre 10 e 25 pontos por transação não parecem ser muito lucrativas, é provável que a Poloniex obtenha aproximadamente US$ 250 mil em receita com taxas de negociação num volume de US$1 bilhão de dólares negociados. Assumindo que a taxa de transação média é de 0,25%, considerando que muitos dos traders de alto volume provavelmente operam com taxas ligeiramente mais baixas que a maioria. Se ambos os  tipos de traders tiverem volumes mensais abaixo de 600 BTC, eles são cobrados .25% e .15% respectivamente, a margem líquida da Poloniex nessas operações é de 0,4% do valor total das transações. Esse nível de receita é apenas uma contabilização das taxas de negociação e não contabiliza os fluxos de receita resultantes do mercado de empréstimos. A Poloniex automaticamente faz 15% de lucro no mercado de empréstimos, o que provavelmente também é uma importante fonte de receita. Onde se supõe que as receitas ultrapassem US$ 100.000 com frequência.

O grosso do volume negociado em uma exchange vem de cerca de 10% dos usuários, por isso é essencial oferecer incentivos para traders de alto volume. E são exatamente nesses clientes de grandes volumes que a Circle está mirando. Uma rápida passada no site da Circle, um site espartano, diga-se de passagem, onde há pouquíssima informação, a não ser o detalhe de que eles operam com quase todas as grandes moedas, com ordens a partir de US$250 mil. A plataforma Circle Trade é o principal carro-chefe da rentabilidade da Circle. A mesa opera mais de US$ 2 bilhões por mês em transações em cryptomoedas com ordens mínimas de US$ 250.000 e as maiores na ordem de US$ 200 milhões. De novembro a janeiro, a Circle Trade faturou mais de US$ 60 milhões em receita. Com operações que envolvem: ICO, mineração e trading de cryptomoedas. As receitas da Circle nos últimos três meses, ultrapassaram US$ 250 milhões, seu faturamento no último ano fiscal, que se encerrou em fevereiro foi superior a US$ 1 bilhão. Nada mal para uma empresa de apensas 5 anos.

O relacionamento da Circle com a Poloniex começa no momento que esta precisa transformar seu portfólio(com mais de 70 moedas negociadas)em dinheiro fiat, justamente para pagar as contas. A Circle fazias as vezes de exchange das exchanges. Fica portanto claro quem era a baleia que influenciava o book da Poloniex. Não é mesmo?

Com a expansão, a Circle está fundamentando as bases para um dia as cryptomoedas se tornam correntes, os preços se tornem menos voláteis e que a utilidade dos tokens digitais não seja mais contestada e controversa. Se a maioria das dezenas de exchanges que competem hoje são apenas lugares para comprar e vender moedas, a Circle tem ambições mais elevadas: possui amplos fundos de investimento oriundas da China, tais como( Fenbushi Capital, China Everbright Investment Management, China International Capital Corporation e Baidu Ventures.), investidores convencionais, tecnologia sofisticada, uma nova rede de clientes vinda da Poloniex. Portanto, com certa sorte, o plano da Circle em construir o banco do próximo século em torno das cryptomoedas se torna a cada passo, mais provável.

Em 20 anos ninguém saberá quem é James Dimon, CEO da JP Morgan Chase, assim como ninguém sabe quem era o CEO da Mesbla há 20 anos.

 

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