O inevitável advento dos ativos digitais

Segundo o futurista e reitor da Singularity University, Ray Kurzweil, uma vez que aprendemos a manipular os números em escala rudimentar no passado era simplesmente inevitável que um dia alcançássemos a era da Informação.

Para Kurzweil toda civilização inteligente(levando em consideração que possa haver outras civilizações lá fora no espaço sideral tão ou mais avançadas quanto a nossa)em algum momento vai desenvolver a computação e em seguida à manipulação desse poder disruptivo para alcançar novos níveis mentais, civilizatórios e de riquezas que levariam essa civilização a níveis inimagináveis e à quebra de paradigmas imediatamente após a popularização desse poder computacional e informacional.

Analisando esse cenário pela nossa ótica e linha histórica, quando a internet se torna comercial e popular a partir de 1995 era inevitável que ela começasse a redesenhar a topologia da informação na Terra. O poder que a internet trouxe para dentro de nossas casas e por conseguinte à palma das nossas mãos, promoveu mudanças profundas nas nossas vidas e economia. No que tange à economia, à geração de riquezas, o e-commerce, o B2C, o B2B já exerciam papel basilar na transposição dos negócios do mundo real para o mundo virtual. Contudo, mesmo com o avanço dos meios de pagamento virtuais, do internet banking e pagamentos móveis, as forças que regulam o dinheiro resistem a torná-lo digital. Pois que virtual e digital são vetores diferentes, embora pareçam sinônimos e siameses.

Essa dicotomia essencial entre virtual e digital é a base da dificuldade inerente aos banco centrais ao redor do mundo em entender que o dinheiro poderia se tornar um ativo digital e não mais uma forma nova de escrituração contábil. Quando acessamos nossas contas via internet banking e vemos seu saldo o que há ali é uma forma de escrituração, pois os valores precisam bater com a mesma quantidade em forma de moeda física, guardada nos cofres do banco. De fato, o dinheiro não tá ali na tela, visto que sua presença é somente virtual. Não há valor intrínseco no nosso saldo. Ele é somente a representação contábil e nada mais. Se ele fosse um ativo digital, haveria um valor intrínseco presente ali naquela representação numérica. Na verdade, não seria uma representação de valor, teria valor real. Pois é aí que nascem os ativos digitais.

Uma vez que chegamos ao nível de envolvimento social e econômico da sociedade da informação, na qual o software passou a ocupar mais espaço que os negócios físicos – vide o Google e a Amazon – era inevitável que em algum momento, a riqueza que outrora fora representada pelo acúmulo de ouro e por conseguinte na sua escrituração contábil, o dinheiro, se tornasse ativos digitais. O advento da criptografia aplicada a um livro registro- o Blockchain -, que escritura, acompanha, audita e que uma vez emitido é impossível deletá-lo e copiá-lo; concedeu ao Bitcoin a força para se tornar o primeiro ativo digital do mundo.

Sua existência não é um evento isolado, sua forma e circulação que podem ser auditadas por milhões de nós numa rede, concede-lhe a força das redes descentralizadas, impedindo que seu valor intrínseco seja questionado ou alterado. Não há uma força central discricionando o valor do Bitcoin. O que há é um consenso entre todos os envolvidos na sua emissão e existência.

Voltando a falar em Ray Kurzweil,- para ele era inevitável que quando a computação se tornasse barata(chips e memórias), uma nova sociedade baseada 100% no digital surgisse em seguida. O surgimento do Bitcoin já era previsto de certa forma, uma vez que a internet se popularizou, que computação em nuvem tornou-se ridiculamente barata sendo este evento um reflexo do também barateamento dos componentes físicos da informática. Uma vez que todos esses itens foram encadeados: poder computacional, barateamento das peças, transposição da infraestrutura para nuvem, barateamento do acesso à internet e por último o item mais impactante: o surgimento de uma economia toda baseada em software – o surgimento de um ativo digital era só questão de tempo.

Portanto, apostar contra as cryptomoedas é nadar contra a maré. Da mesma forma que Bill Gates dizia que ninguém precisaria de mais que 640KB em seus computadores ou Ken Olson, presidente da DEC em 77, quando dizia que não havia nenhuma necessidade de alguém querer ter um computador em casa e no mesmo ano Jobs e Wozniac fundavam o clube do hardware em sua garagem e dali nasceria a Apple. Todos que hoje apostam contra as cryptomoedas serão ultrapassados pela força inexorável da inovação.

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