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Mineração abaixo de zero: Islândia se firma como meca da mineração na Europa

A mineração de bitcoins chegou para ficar na Islândia. Uma pequena ilha perdida entre a Escandinávia e o mar do norte, tem atraído a atenção de grandes players interessados na sua farta energia barata e clima gélido, perfeito para se manter uma mining farm de bitcoins funcionando a mil por hora. A HS Orka, uma das grandes companhias elétricas da Islândia, anuncia: em 2018, pela primeira vez, o consumo de energia destinada a esse intrincado processo vai superar o de todos os lares do país. Neste mundo das divisas digitais, a mineração equivale ao que nas moedas tradicionais seria a impressão de notas. E, se tudo continuar como até agora, o processo só conhece uma direção: para cima.

Segundo cálculos do economista Alex de Vries, no final do ano o bitcoin terá absorvido a eletricidade consumida por um país como a Áustria, ou 0,5% de toda a eletricidade produzida no mundo. “Pode parecer pouco, mas a energia solar responde por 1% da eletricidade total. E foram necessárias décadas para que atingisse essa porcentagem. Em apenas um ano, o consumo agora dispara e ninguém sabe aonde pode chegar”, diz ele, do outro lado da linha.

Mas por que investidores de todos os tamanhos e lugares do mundo concentram agora sua atenção numa ilha perdida, no meio do caminho entre a Europa e a América, com apenas 350.000 habitantes? Basicamente, por causa do frio e do baixo preço da energia. Aqui, onde a temperatura média gira em torno dos quatro graus – mais ou menos a de uma geladeira –, a natureza oferece refrigeração gratuita, uma bênção para uma indústria cujo principal inimigo é o aquecimento de aparelhos que trabalham 24 horas por dia, 365 dias por ano. Nesse negócio, quem tem mais armas contra o calor é rei.

Mas o problema vai além dos bitcoins. Se a Internet fosse um país, seria o quinto maior consumidor de energia do mundo, segundo um estudo do Greenpeace. Num artigo recente, Heidar Gudjonsson, presidente da Vodafone Islândia, dizia que a pegada de carbono deixada pelos downloads da música Despacito equivale à das emissões de gases anuais de 100.000 táxis.

O interesse pela Islândia aumentou no ano passado, quando o valor do Bitcoin passou de 1.000 dólares (3.700 reais) em janeiro para quase 20.000 (74.000) em dezembro. Com a queda da cotação do Bitcoin, vão preponderando neste negócio os clientes com vocação de médio e longo prazos, incluindo grandes entidades financeiras internacionais. Mas ninguém sabe o que vai acontecer se o preço continuar caindo. Se chegar a menos de 6.000 dólares (22.200 reais), haverá problemas, afirma o gerente da Borealis, uma das maiores fazendas de mineração na Islândia.

O local de mineração da Borealis é a versão de baixo custo dos modernos centros de dados. Aqui não há sistemas sofisticados de refrigeração. Só se veem filas de computadores trabalhando sem descanso, além de tubulações que mandam o calor para o teto. As paredes são de uma espécie de espuma que deixa entrar o frio numa zona em que, duas semanas atrás, com uma primavera praticamente inexistente, a temperatura girava em torno dos cinco graus.

Artigo feito em colaboração com o El País

Marcel Mendes da Costa, um holandês filho de portugueses, gerente da Borealis.

 

 

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Empreendedor, Cientista de Dados e cryptopesquisador.

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