O Reino Unido está dando um passo significativo ao colocar as stablecoins no centro de um novo mandato do Banco da Inglaterra, que visa apoiar a inovação em pagamentos digitais. A proposta, anunciada pelo HM Treasury, busca expandir o escopo do banco central, adicionando um objetivo secundário que foca na inovação dos sistemas de pagamento e nas novas formas de dinheiro digital, sem perder de vista a estabilidade financeira.
Essa mudança vem em um momento em que o Reino Unido intensifica seus esforços em relação às stablecoins, através de alterações regulatórias e experimentos de pagamento, além de uma coordenação mais próxima com os Estados Unidos. A nova responsabilidade do Banco da Inglaterra se baseia em abordagens já existentes para regular contrapartes centrais e depositários centrais de valores mobiliários, que são essenciais para a liquidação de ativos financeiros.
O ministro da cidade, Lucy Rigby, destacou que as inovações em tecnologia de pagamentos digitais, como a tokenização e a tecnologia de livro-razão distribuído (DLT), têm o potencial de transformar os mercados financeiros globalmente. O governo planeja implementar esse novo objetivo por meio de emendas ao Financial Services and Markets Bill, que será debatido na Câmara dos Lordes nos dias 7 e 9 de setembro.
Entretanto, a nova proposta também levanta preocupações na indústria. Maksym Sakharov, co-fundador e CEO da WeFi, comentou que o impacto do novo mandato dependerá de como o Banco da Inglaterra utilizará sua exigência de relatórios anuais. Embora o objetivo de inovação seja secundário à estabilidade financeira, a necessidade de publicar um relatório anual sobre os esforços de inovação pode aumentar o escrutínio público sobre as regras de stablecoin que o banco central finalizou em junho.
Além disso, Sakharov mencionou que os emissores de stablecoins sistêmicas devem manter pelo menos 30% de seus ativos de lastro em depósitos não remunerados no banco central, o que pode impactar a viabilidade comercial de um negócio de stablecoin.
O novo mandato surge em meio a um aumento dos esforços do Reino Unido em relação às stablecoins, que são ativos cripto projetados para manter um valor estável, geralmente atrelados a ativos como o dólar americano. Em agosto, um grupo que participa do Digital Pound Lab do Banco da Inglaterra começou a testar a viabilidade de uma stablecoin em pagamentos de comércio transfronteiriço, utilizando uma plataforma experimental que não envolve clientes ou dinheiro reais.
Em julho, o Reino Unido e os EUA publicaram uma declaração conjunta sobre stablecoins, afirmando que pretendem permitir o uso dessas moedas em finanças transfronteiriças e pedindo uma maior harmonização de suas estruturas regulatórias. O Banco da Inglaterra também abandonou planos de limitar as holdings de stablecoins a 20.000 libras esterlinas para indivíduos e 10 milhões de libras para empresas, substituindo-os por um teto temporário de emissão de 40 bilhões de libras (cerca de 52,9 bilhões de dólares) para cada stablecoin sistêmica.