Economia

A confiança nas carteiras de hardware: um desafio para os usuários de cripto

| Redação
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Recentemente, a questão da confiança nas carteiras de hardware voltou à tona, especialmente após os incidentes envolvendo os dispositivos da Ledger. A situação levantou preocupações sobre os intermediários que manuseiam esses dispositivos antes de chegarem aos consumidores, mesmo quando adquiridos através de vendedores autorizados.

Joe Grand, um pesquisador de segurança que se especializa em hardware, destacou que é praticamente impossível para os usuários comuns detectarem adulterações sofisticadas nas carteiras de hardware. Ele mesmo, com toda sua experiência, admite que não verifica cada dispositivo que passa por suas mãos. Isso mostra o quão complexo é o cenário atual.

As preocupações começaram a surgir após relatos de perdas de criptomoedas envolvendo dispositivos Ledger vendidos pela CryptoBilis, um revendedor autorizado na Indonésia, Malásia e Filipinas. A Ledger confirmou que um dos dispositivos afetados continha um implante não autorizado, que capturava as frases de recuperação dos usuários e as transmitia por redes celulares.

Embora as carteiras de hardware sejam projetadas para manter as chaves privadas offline, reduzindo a exposição a ataques online, a popularidade global de algumas delas criou oportunidades para adulterações na cadeia de suprimentos. Mati Greenspan, analista de cripto, mencionou que, apesar de estar no setor desde 2013, nunca utilizou uma carteira de hardware, pois vê pouco valor em adicionar mais uma camada de confiança.

Nick Neuman, CEO da Casa, uma empresa de segurança em Bitcoin, afirmou que evitar completamente a confiança em terceiros é impossível. Ele recomenda que os usuários diversifiquem seus riscos entre vários provedores, em vez de depender de apenas um.

Embora a Trezor, uma das principais concorrentes da Ledger, afirme que seus dispositivos passam por verificações de autenticidade e aceitam apenas firmware assinado, eles reconhecem que essas proteções não podem eliminar a possibilidade de adulteração física. A Trezor também anunciou que reduzirá o número de revendedores como uma medida preventiva.

Grand sugeriu várias mudanças no design físico das carteiras, como invólucros transparentes que expõem os componentes internos e caixas resistentes a adulterações. Essas alterações poderiam dificultar a injeção de hardware adicional, mas não eliminariam o risco completamente.

Em um mercado onde a segurança é primordial, é essencial que os investidores façam sua própria pesquisa (DYOR) e considerem cuidadosamente as implicações de confiar em dispositivos de terceiros. A vigilância constante e a busca por inovações em segurança são fundamentais para proteger nossos ativos digitais.

Fonte: https://cointelegraph.com/news/hardware-wallet-supply-chain-risk-ledger-incident