O cenário cripto na Coreia do Sul está agitado novamente, e não é para menos. O Financial Supervisory Service (FSS) do país começou um processo de sanções contra a Dunamu, a operadora da exchange Upbit, após um hack que resultou em um rombo de US$ 36 milhões em novembro de 2025. O que chama a atenção é que a legislação atual, a Virtual Asset User Protection Act, não possui disposições claras sobre sanções para incidentes de hacking, o que deixa um grande ponto de interrogação sobre as penalidades que podem ser aplicadas.
De acordo com o que foi reportado pelo Yonhap News, o FSS enviou uma carta de opinião de inspeção à Dunamu, marcando o início formal do processo de sanções. Essa carta dá à Dunamu a chance de se manifestar sobre as descobertas da inspeção antes que o regulador decida sobre as sanções propostas. É um momento crucial para a empresa, que precisa se defender e mostrar que está tomando as medidas necessárias para proteger seus usuários.
Vale lembrar que a Upbit enfrentou críticas por atrasar o anúncio do hack, que durou cerca de 54 minutos, começando às 4h42 da manhã do dia 27 de novembro. A exchange só fez o comunicado no final do dia, após um evento de fusão com a gigante da internet Naver Financial. Essa demora levantou muitas suspeitas e questionamentos sobre a transparência da exchange.
O regulador financeiro está avaliando se a Upbit violou a Virtual Asset User Protection Act, que, como já mencionado, não possui disposições diretas sobre sanções relacionadas a ciberataques. Para corrigir essa lacuna, as autoridades sul-coreanas planejam adicionar sanções e disposições de compensação para hacking e falhas de sistemas na segunda fase da Digital Asset Basic Act.
Após o hack, a Upbit anunciou que congelou aproximadamente 2,3 bilhões de won (cerca de US$ 1,5 milhão) em fundos e se comprometeu a reembolsar totalmente os clientes afetados utilizando seus próprios ativos. Além disso, a exchange iniciou uma reformulação na arquitetura de suas carteiras cripto para mitigar vulnerabilidades e migrou todos os ativos das carteiras afetadas.
Em dezembro de 2025, a Upbit revelou que desenvolveu um sistema automático de rastreamento onchain, o Onchain AI Tracer System, para monitorar o caminho dos fundos roubados e auxiliar nos esforços de recuperação. A Upbit, que ocupa a terceira posição no ranking de exchanges de cripto da CoinMarketCap, com base em tráfego, liquidez e volumes de negociação, precisa agir rápido para restaurar a confiança dos investidores.