No último mês, o UNDP lançou um Grupo de Consultoria em Blockchain durante a conferência Proof of Talk em Paris, França. O objetivo é guiar o uso da tecnologia blockchain em programas de desenvolvimento. Além dos pagamentos digitais, o grupo irá explorar como a blockchain pode apoiar a infraestrutura pública digital e melhorar os sistemas públicos.
A expansão do uso de pagamentos em blockchain pelo UNDP reflete um movimento mais amplo para modernizar os pagamentos transfronteiriços em mercados emergentes. Nesses locais, o acesso limitado ao sistema bancário tradicional e os altos custos de remessas tornaram as stablecoins uma alternativa cada vez mais atraente.
A Ripple, por exemplo, recentemente adquiriu uma participação na fintech africana Flutterwave como parte de um esforço mais amplo para expandir o uso de sua stablecoin RLUSD e do XRP Ledger na África, onde as remessas continuam sendo uma fonte importante de renda familiar.
A América Latina também está se destacando como um mercado chave para remessas impulsionadas por stablecoins, com emissores mirando corredores de pagamento na Argentina, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Esses canais de remessa estão se tornando cada vez mais ativos na região.
A ex-secretária-geral adjunta da ONU, Vera Songwe, destacou que a crescente importância dos pagamentos digitais vai além das remessas. Em sua fala no Fórum Econômico Mundial em janeiro, ela afirmou que as stablecoins estão se tornando “mais importantes do que a ajuda” em algumas economias em desenvolvimento, pois oferecem acesso a serviços financeiros digitais onde o sistema bancário tradicional ainda é inacessível.
“650 milhões de pessoas não têm acesso a uma conta bancária na África”, disse Songwe aos participantes do WEF. “Com um smartphone, você tem acesso a stablecoins, podendo economizar em uma moeda que não está exposta às flutuações da inflação, evitando que você fique pobre.”