No último dia 9 de outubro, a Ledger, uma das principais fabricantes de carteiras de hardware, se viu no meio de uma crise de segurança quando foram relatadas perdas de criptomoedas envolvendo carteiras vendidas através da CryptoBilis, um revendedor autorizado no Sudeste Asiático. O ex-CEO da Mt. Gox, Mark Karpelès, trouxe à tona informações preocupantes sobre um possível implante não autorizado em um dispositivo vendido.
Segundo Karpelès, a Ledger não se manifestou sobre o caso específico do implante encontrado, mas ele questionou a falta de ação da empresa diante do aumento de relatos e da qualidade da tecnologia utilizada nos dispositivos comprometidos. Ele enfatizou que, com o número crescente de incidentes, a empresa deveria ter alertado os clientes para que tomassem cuidado.
Em uma apresentação compartilhada com a Cointelegraph, um pesquisador identificado como Grand revelou que o vendedor da Ledger adulterada era conhecido como “LedgerXXX” na plataforma Lazada. Curiosamente, até o momento da redação, a LedgerXXX não estava listada como um revendedor autorizado na Tailândia, embora a loja oficial da Ledger na Lazada estivesse.
A Cointelegraph buscou esclarecimentos tanto com Grand quanto com a Ledger sobre a identidade e o status de autorização do vendedor no momento da compra do dispositivo. Archie, chefe de vendas da OneKey, comentou que marketplaces como Lazada abrigam diversos vendedores independentes, dificultando para os clientes a distinção entre lojas autorizadas e outras listagens.
Após os recentes incidentes, a OneKey decidiu remover suas listagens de revendedores até que checagens mais rigorosas sejam implementadas, afirmando que os fabricantes devem assumir a responsabilidade pela proteção dos clientes, em vez de confiar apenas nos compradores para identificar vendedores confiáveis.
As descobertas de Grand não se limitaram à Ledger. Em agosto de 2026, ele também alertou a Trezor sobre carteiras Trezor One e Model T adulteradas adquiridas de vendedores não autorizados no TikTok e Facebook. A Trezor reconheceu que carteiras falsificadas ocasionalmente aparecem através de vendedores não autorizados e reiterou que sua recente afirmação de não haver evidências de dispositivos comprometidos se aplicava apenas a novas carteiras vendidas por revendedores autorizados.
Apesar disso, a Trezor afirmou que trata relatos envolvendo vendedores não autorizados como alertas precoces e utiliza as descobertas de pesquisadores para aprimorar suas verificações de segurança. A empresa destacou que um novo método ou um primeiro caso vindo através de um canal autorizado mudaria a situação, indicando que o problema estaria mais próximo dos compradores comuns, momento em que agiriam rapidamente, incluindo avisos diretos aos clientes.
Em resumo, a situação atual serve como um lembrete importante para todos nós, investidores e entusiastas do mundo cripto: sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) e tenha cuidado ao adquirir dispositivos de armazenamento de criptomoedas. A segurança deve ser sempre a prioridade número um.