Recentemente, o fundador da Quantus, Christopher Smith, trouxe à tona uma questão alarmante: como será o primeiro ataque quântico ao Bitcoin? Ao contrário do que muitos imaginam, não será um roubo chamativo das carteiras de Satoshi Nakamoto. Em vez disso, poderemos ver uma onda de invasões em carteiras de criptomoedas, sem qualquer pista de como os atacantes conseguiram isso.
Smith explica que, quando alguém quebra sua chave, você não recebe um aviso sobre como isso aconteceu. Um computador quântico suficientemente poderoso pode derivar uma chave privada a partir de chaves públicas expostas na blockchain, permitindo que um atacante mova fundos sem comprometer os sistemas internos de uma carteira ou exchange.
Esse cenário torna a chegada do chamado ‘Q-day’ — o momento em que os computadores quânticos se tornam capazes de quebrar a criptografia padrão — extremamente difícil de detectar. Em um roubo envolvendo uma organização altamente segura, a única evidência forense seria a ausência de uma violação.
Embora muitos temam que o primeiro alvo seja a fortuna de Satoshi, estimada em US$ 63 bilhões, Smith sugere que os primeiros alvos podem ser sistemas militares e segredos de estado. Ele menciona que a chave de mintagem da Tether pode ser um alvo ainda mais valioso, permitindo que um atacante crie tokens do nada e os despeje no mercado antes que a emissora possa reagir.
Além disso, Sean Cheetham, pesquisador de segurança da Blockchain Capital, acredita que os atacantes provavelmente mirarão carteiras quentes em exchanges, evitando alarmes. Smith também sugere que um ataque quântico pode ser disfarçado como uma violação comum, onde a explicação plausível seria que alguém simplesmente perdeu suas chaves.
O cronograma para o Q-day é incerto. O Google acelerou sua migração pós-quântica para 2029, após um avanço assistido por IA que mostrou que a criptografia de curva elíptica pode ser quebrada com menos qubits físicos do que se previa. Apesar da crescente urgência, não há consenso sobre quando um computador quântico capaz de quebrar a criptografia moderna estará pronto.
Smith acredita que há uma chance de 50% de isso acontecer até 2028, enquanto Cheetham sugere que o início da década de 2030 é quase certo. Michael Coates, da Fundação Solana, não se arriscou a dar uma estimativa, mas enfatizou que a incerteza não deve atrasar as ações necessárias.
Felizmente, as blockchains não estão esperando e já começaram a migrar para assinaturas pós-quânticas. O dano seria catastrófico se não o fizessem.