Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA registraram uma recuperação impressionante esta semana, mostrando que a demanda institucional está voltando com força. Após meses de fluxos irregulares, o apetite dos investidores parece ter se renovado, mesmo com a incerteza que ainda ronda a regulamentação de ativos digitais e a segurança da custódia própria.
No sábado, o analista de ETFs da Bloomberg, Eric Balchunas, revelou que os fundos à vista atraíram cerca de $1 bilhão em influxos líquidos, marcando a melhor performance desde abril e a terceira melhor desde outubro do ano passado — um período que ele chamou de “IPO silencioso do Bitcoin”.
Esse termo foi popularizado pelo investidor Jordi Visser em novembro, descrevendo uma mudança de guarda entre os detentores de Bitcoin. Segundo essa teoria, investidores iniciais estavam vendendo em meio à crescente demanda de ETFs e outros compradores institucionais, criando uma oferta suficiente para manter o Bitcoin contido, apesar do novo capital substancial entrando no mercado.
Essa distribuição coincidiu com uma deterioração nos fluxos de ETFs em comparação com períodos anteriores de demanda mais forte, tornando a recuperação desta semana particularmente notável.
Além disso, essa recuperação ocorreu após um incidente de segurança significativo envolvendo a Coldcard, uma popular carteira de hardware de Bitcoin desenvolvida pela Coinkite, que resultou no roubo de aproximadamente $116 milhões em Bitcoin. A exploração estava ligada a uma falha na forma como os dispositivos afetados geravam chaves de carteira, permitindo que atacantes comprometessem os fundos mantidos em carteiras criadas com firmware vulnerável.
Na sexta-feira, Balchunas sugeriu que o incidente poderia, em última análise, fortalecer o apelo dos ETFs de Bitcoin à vista entre investidores que se sentem desconfortáveis com as responsabilidades técnicas e de segurança associadas à custódia própria. Ele apontou para o aumento nos influxos de ETFs após o hack como um possível, embora não comprovado, vínculo.
Embora reconheça que correlação não implica causalidade, Balchunas afirmou: “a longo prazo, não consigo imaginar que não haja alguns que migrem”, referindo-se a investidores que potencialmente estão mudando do armazenamento a frio para ETFs.